O rádio é uma mídia sobrevivente, operando há 85 anos no Brasil, resistiu à passagem das décadas, ao surgimento de novos meios e inovações tecnológicas – principalmente pela suas importâncias para o público e pela sua portabilidade.
Essas características foram suficientes até o momento, mas, em um mundo cada vez mais digital, o meio percebeu que estava correndo o risco de perder espaços para outras mídias se não se modernizasse.
A digitalização do rádio eleva de maneira incomparável a qualidade do som e acaba com problemas de interferências no sinal, tanto para as emissoras AM e FM. Há dois modelos aprovados pela UIT (União Internacional de Telecomunicações) para a digitalização do rádio: o Digital Radio Mondiale (DRM), adotado nos países europeus, e o In-band on-channel (IBOC), desenvolvido nos Estados Unidos.
O processo de digitalização avança rapidamente para realidade no Brasil. É praticamente certa a escolha pelo sistema norte americano, denominado IBOC, que permite que as emissoras migrem para o padrão digital usando a mesma faixa de freqüência usado no sistema analógico, sem precisar abrir mão, portanto da sua identidade junto aos ouvintes. Já o sistema europeu pede um novo canal para sua transmissão digital, o que obrigaria as emissoras a mudar o “endereço”. Em qualquer sistema será necessário que o consumidor adquira um receptor de rádio digital.
O sistema IBOC foi criado pela iBiquity Digital, empresa responsável pelo desenvolvimento e licenciamento da tecnologia HDRadio, cobrando royalties pelo seu uso . Entre os investidores da empresa estão quinze das principais emissoras de rádio do país.
Outra vantagem para os radiodifusores é que o sistema utiliza a infra-estrutura já existente do sistema analógico, sem necessidade de novas torres de transmissão ou nova licitação de freqüência, o que o faz ser também opção mais econômica.
Assim o consumidor pode esperar uma recepção mais clara, sem estática, chiado, estalo ou desvanecimento. Muitas emissoras brasileiras já estão operando em fase de testes técnicos de acordo com o modelo.
Com o rádio digital, é possível transmitis até três canais dentro da mesma freqüência, o que dá às emissoras a possibilidade de multigeração de conteúdo, segmentando sua programação e aumentando seu leque de ofertas para os ouvintes. A nova tecnologia também torna possível a transmissão de grande quantidade de dados na forma, por exemplo, de textos, fotos e até condições de tráfego, combinado com o sistema GPS, possibilitando visualizar mapas com as melhores rotas de trânsito para os motoristas, sendo exibidos nos displays dos receptores, aumentando a interação com os ouvintes.
A digitalização ajudará aos anunciantes, pois permitirá uma segmentação ainda maior da que existe hoje.
A multi geração vai obrigar a criação de novos formatos de programação, permitindo que o anunciante desenvolva um relacionamento mais focado com seus consumidores .
Fonte: Revista CENP
adaptado: Hugo Ferreira Drumond