domingo, 28 de outubro de 2007

Publicidade de alimentos privilegia consumo em detrimento da informação

Algumas propagandas de alimentos diet e light estão sendo motivo de debates por não apresentarem informações importantes para a saúde de seus consumidores. Essa é a principal conclusão que a biomédica Bianca Ramos Marins chegou na sua pesquisa "A propaganda de alimentos para fins especiais como estímulo ao consumo".

A idéia para a pesquisa de Bianca veio de observações de estratégias do mercado para estimular o consumo de alimentos classificados para "fins especiais" (de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e dirigido ao público com alguma necessidade (como diabéticos, idosos, etc.). São produtos que são especialmente formulados e que contém modificações no conteúdo de nutrientes adequados à utilização em dietas diferenciadas.

A biomédica analisou 20 peças publicitárias veiculadas na impresa escrita - entre junho e outubro de 2006 - usando questionamentos como "quem fala", "a quem se dirige", "como fala", "o que fala" e "qual o interesse". As peças escolhidas são de dois distintos jornais diários e de nove revistas (duas de atualidades e outras dirigidas ao público feminino ou de "vida saudável").
Ela encontrou anúncios de produtos de barra de cereais, pães de forma, leites, adoçantes, etc. E resumiu "De modo geral, produtos com publicidade feita para atingir as mulheres, propondo o consumo sem culpa, prometendo a combinação entre estética e saúde e associando os alimentos à felicidade, à longevidade, à vitalidade e a uma vida equilibrada.".

Na sua pesquisa, pode frizar estratégias de convencimento usadas pelos publicitários, tais como: alertar sobre a necessidade de uma vida saudável, o patrocínio de atividades esportivas, fotos de felicidade, vitalidade, saúde física e mental, a substituição de refeições pelos produtos divulgados. Uma importante observação feita pela biomédica foi a inexistência ou quase nula apresentação de informações nutricionais e de advertências em relação ao uso do produto nas peças publicitárias.

A partir dos resultados observados, Bianca chegou a algumas importantes conclusões. A principal foi que a publicidade oculta ou desconsidera totalmente informações essenciais ao esclarecimento do consumidor sobre os aspectos nutricionais dos alimentos.

E como consequência, o trabalho nos leva a discussão sobre a regulamentação atual da propaganda. Ela é suficiente, ou é possível e preciso uma melhor monitoração? O Estado tem a responsabilidade no assunto, e o tema pede mais estudo e investimento.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias
Data da Notícia: 19/09/2007
Adaptado por: Carla Rocha

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